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Ano III - Edição nº 11
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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O PM que todos querem
 
 
 
 

O  PM Mineiro Ricardo Borges é gay e candidato Mr Brasil Diversidade de Uberlândia-MG. Em entrevista para o site O Confessionário, Borges  falou sobre o preconceito que sofreu por parte de seu superior na corporação, os futuros projetos na sua vida pessoal e como está sendo a preparação para o tão esperado concurso. 
Leia a integra da entrevista abaixo:
 
O Confessionário: Você recentemente foi vítima de homofobia na Polícia Militar onde trabalha. Como você se sentiu? Foi a primeira vez que sentiu o preconceito?

Ricardo Borges: O primeiro sentimento que me veio foi de grande indignação, por ver alguém comparar uma classe de pessoas a ladrões e corruptos, apenas por ter uma orientação sexual diversa da dele. Fiquei muito constrangido também, porque tinham muitos outros policiais no local, os quais sabiam que sou gay. Inclusive, os outros policiais também ficaram constrangidos, pois são todos meus amigos e sempre me respeitaram.

OC: Quando você entrou na corporação militar, eles já sabiam da sua opção?

RB:Não. Até mesmo porque eu tinha 18 anos, e naquela época eu não ficava com homem ainda.

OC: Como era sua relação com os colegas de trabalho? Mudou depois de você ter se assumido?

RB: Não mudou nada. Não sei se é porque eu tenho uma personalidade muito forte, faço meu trabalho bem e respeito a todos, mas o pessoal do trabalho tem uma afinidade muito grande comigo. Se alguém não gosta de mim pelo fato de eu ser gay, nunca me foi dito.

OC: Você teve medo ao levar em frente o processo contra a Polícia Militar? Foi ameaçado ou sofreu alguma retaliação?

RB: O sentimento de indignação era tão grande, que nem tive tempo de pensar em medo. De qualquer forma, eu estava no meu direito, e nunca tive medo de cobrar meus direitos. Após o fato, não fui ameaçado e nem sofri retaliação, até mesmo porque retaliações, em um caso como esse, são sempre arbitrarias, e eles devem ter percebido que eu não sou o tipo de pessoa que admite injustiças. Ou seja, se tivesse retaliação, eu mais uma vez iria levar ao conhecimento da mídia e a situação deles só se complicaria mais.

OC: Você chegou a ser exonerado? Em que pé anda o processo?

RB: Não. E se alguém, nesse caso, tivesse que ser exonerado, deveria ser o tenente preconceituoso, não eu.  O processo está em andamento, mas pelo que sei, o oficial ainda não foi punido.

OC: Já tivemos um caso de um Casal do Exército Brasileiro, onde também houve preconceito por parte de seus superiores por se assumirem homossexuais. Você acha que, a questão da HOMOFOBIA em trabalhos visto como “ trabalho de homem” como policial, jogador de futebol é maior?

RB: Com certeza. Porque o mundo em que vivemos é machista. Porém, eu posso falar, por experiência própria, que isso não é verdade. Pois trabalho desde o inicio da minha adolescência, e a maioria dos trabalhos que já tive, foram todos trabalhos pesados, ditos “trabalho de homem”.

OC: Em pleno século 21, o preconceito com os negros, gays, dentre outros, continua grande no Brasil, um país bastante diversificado, devido a sua miscigenação. Pessoas que sofrem algum tipo de preconceito, sendo ele moral ou até mesmo físico, na sua opinião, devem procurar seus direitos legais? Porque!?

RB: Com certeza. A busca dos direitos é a única forma de conseguirmos conquistar mais direitos, fazer com que os preconceituosos sejam punidos e, assim, coibir novas ações preconceituosas. Ninguém deve ter medo de cobrar seus direitos e se calar diante de situações como a que estou enfrentando, senão isso nunca vai acabar.

OC: O deputado Eduardo Cunha (PMDBRJ) apresentou há cerca de um mês um projeto de lei que prevê pena de até três anos de prisão para quem discriminar os heterossexuais. O que acha disso?

RB: Acho que ele está brincando de ser deputado. Leis complementares com este fim devem ser criadas para elevar à condição de igualdade, os que são tratados com desigualdade, de acordo com a Constituição Federal. E neste caso, quem é tratado com desigualdade são os homossexuais, não os heterossexuais. Tanto que não existe uma luta constante contra a heterofobia, e sim contra a homofobia

OC: Sobre o concurso Mr. Brasil Diversidade, como surgiu a idéia em se candidatar? Já havia participado de algum concurso de beleza?

RB: Nunca havia participado de concurso de beleza. Eu vi uma entrevista com o produtor Augusto Rossi no site da revista ACAPA, na qual ele falava do concurso e que as inscrições estavam abertas. Como eu estou numa luta contra a homofobia devido à situação que passei na PM e um dos objetivos do concurso é dar mais visibilidade às questões LGBT, resolvi me candidatar.

OC: Você se considera o gay mais bonito do Brasil?

RB: Hum, eu sou humilde com relação à minha beleza, até mesmo porque eu acho que sempre tem algo pra se melhorar. Tem muita gente bela por todos os lugares. Então essa parte eu vou deixar para os jurados.

OC: Está animado para o concurso?

RB: Ué, estou sim. Estou meio ansioso, mas to tentando dar o meu melhor na preparação.

OC: E como está se preparando?

RB: Estou me cuidando muito, estética e psicologicamente, principalmente com relação a assuntos relacionados à homofobia, e fisicamente também estou tentando atingir o melhor até o concurso.

OC: Já decidiu o que vai fazer se levar os R$ 5.000,00? E pretende continuar trabalhando como modelo?

RB: Caso ganhe, vou usar o dinheiro pra terminar minha faculdade de Marketing. Se pintar oportunidades como modelo, eu aceitaria sim.

OC: Posaria Nu?

RB: Rsrsrsrsrs… Se a proposta fosse boa, acredito que sim.

OC: Bem agora vamos falar um pouco mais de você. Você é o cara do tipo mais caseiro ou gosta mais de festas?

RB: Durante a semana sou mais caseiro. Alem de trabalhar, fico lendo, malhando e resolvendo as coisas do dia-a-dia. Mas aos finais de semana sou baladeiro.

OC: E atualmente está solteiro? O que precisa ter um homem para te conquistar? Você tem algum tipo?

RB: Estou solteiro. Eu não tenho um tipo definido. Eu tenho que olhar pro cara e me sentir atraído. Mas não gosto de pessoas oportunistas e mentirosas.

OC: A Maioria dos homossexuais hoje em dia já se relacionou com mulheres. Esse também foi o seu caso?

RB: Infelizmente sim. Eu digo infelizmente, porque eu sempre soube que o que eu queria era homem, e não mulher. E se fiquei com mulher, foi por pressão social.

OC: O ditado que fala: “ mineiro come quieto” é verdade ou um mito?

RB: Isso é verdade. A gente chega devagar e quando vê, já era…rsrsrs

Por: Da Redação/ O Confessionário
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